Projeto Fotográfico | "A Mira e o Alvo" (2020)
- 29 de abr. de 2020
- 2 min de leitura

Quem vai se tornar objeto da violência policial? Quem terá as queixas de agressões negadas e quem vai ser estigmatizado e privado de direitos civis?
De acordo com a filósofa Judith Butler em “Corpos em aliança e a política
das ruas” (2018), uma reunião é realizada em nome do corpo vivo,
um corpo com direito a viver e a persistir, até mesmo a florescer.
Ao mesmo tempo, não importa sobre o que seja o protesto,
ele também é, implicitamente, uma reivindicação por
poder se unir, se reunir em assembleia, e de fazê-lo
livremente, sem medo e sem se transformar em alvo
da violência policial ou da censura política.
Porque quando corpos se unem para expressar sua indignação no espaço público, eles também estão fazendo exigências mais abrangentes:
estão reivindicando reconhecimento e valorização, estão exercitando o direito de aparecer, de exercitar a liberdade, e estão reivindicando uma vida que possa ser vivida.
Dentro do campo visual, o “A MIRA” traz luz ao corpo que,
em sua luta contra a precariedade, persiste
e resiste no coração das manifestações.
Diferentes em suas origens e individualidades,
juntos são uma única pulsação.
As lentes de Amanda Fogaça registram o corpo que está em batalha, exposto, exibindo o seu valor e a sua liberdade, em uma fusão indivisível de força e fragilidade, portanto, existindo e impondo respeito em ato político.
O comparecimento, a permanência, a respiração,
o movimento, a quietude, o discurso e o silêncio são
todos aspectos que constituem ações de ARTivismo.
No “A MIRA” são gritos que não se calam, batalhas que
não se encerram, manifestações que não se dissipam para
apelar um outro tempo que seja expurgado neste tempo.
“A MIRA” é, assim como todo corpo que luta,
uma denúncia e um grito pelo direito à vida na sua
mais plena potência e condição.
texto e revisão por: Amanda Fogaça
e Natália sousa (jornalista, escritora e podcaster)
@natyops | @paradarnomeascoisas










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